Jimmy,
Em 28 de agosto de 2011 05:02, Jimmy Avila Avila <jimmybra@gmail.com> escreveu:
-- Acho que o Prado foi certeiro quando disse que se nao tivesse feitocomparaçoes entre proprietario e livre a discussao nao teria ido tao longe!É, de fato, uma parada meio FlaFlu em que muitas vezes bons argumentos sao rebatidos com raivozas acusaçoes pro " sistema" ou coisa que o valha!Produzo e edito meus trabalhos, mesmo os mais curtos como uma videodança, com proprietario porque , simplismente, é mais eficiente tecnicamente.
essa afirmação é um exemplo da visão utilitarista que a fabs coloca. E eu concordo com ela nesse sentido.
Existem muitos sujeitos envolvidos em produção audiovisual. Quando estamos falando de obras autorais, qd estamos falando de ONG´s e pontos de cultura que estão se apoderando da linguagem e das ferramentas audiovisuais pra contar suas histórias, pra documentar suas comunidades, pra fazer seus filmes, o uso de software livre faz todo o sentido do mundo! não só porquê (como já foi dito, inclusive por mim), é possível produzir, mas principalmente porquê é a única forma legítima para que pessoas comuns se apropriem dos meios de produção (olha marx aí!). Produzir legalmente com softwares proprietários não é apenas caro. Por ser caro se torna uma questão de gueto onde sobrevivem os ricos, gerando o abismo e a exclusão que conhecemos. Ou seja, ou vc é rico, ou é ilegal ou é livre.
É uma questão política.
Por isso não faz o menor sentido (concordando com meu amigo pedro jatobá), falar de políticas públicas em fomento cultural apregoando o uso de ferramentas proprietárias.
Ponto tb pro cinema nigeriano, pros Tom Jobins da vida. Ponto pro sevirismo que prova por A+B que diversos sujeitos podem se livrar das dominações do mercado e produzir com as ferramentas disponíveis. (nunca discordei disso, viu fabs? =)
A polêmica que alimentei é por conta de outro lado da moeda que me parece resultar em outro tipo de exclusão. É a exclusão que coloca quem trabalha profissionalmente na área em oposição a quem usa software livre. Mas como assim, né? Como o mercado de trabalho não oferece suporte ao SL (ainda), essa exclusão me coloca num limbo e é pra esse limbo que quero chamar atenção. Não gostei de ser taxado de "usuário de windows" de forma jocosa, me excluindo da comunidade com a qual tenho compartilhado tantos entendimentos nos últimos anos.
Para além de todas essas questões políticas e/ou filosóficas existe um rico mercado de trabalho por um lado e pessoas interessadas/necessitadas nele de outro.
Jatobá, gostei qd vc fala de "criar um mercado de SL para que estes jovens possam atuar no futuro". Acho que é por aí sim. Só acrescento um ponto na questão: mercado de trabalho audiovisual é hj um mercado bastante vasto, envolvendo emissoras de TV (comerciais, públicas, comunitárias, etc), produtoras (publicidade, institucional, eventos sociais), web TV (todas as anteriores mais streaming)... enfim, é um mercado aquecido e com muitas vagas.
Arranjos locais que gerem iniciativas que comecem a absorver essa mão de obra liberta são bastante louváveis mas em curto/médio prazo continuarão a ser pequenos nichos (guetos?), onde um punhadinho de pessoas vão conseguir algum dinheirinho. Devem continuar mas não podem ser a única ação em curso.
Enquanto isso existe um mercado de trabalho rico e cheio de vagas dominado por tecnologia proprietária. Gostaria que resultasse dessa discussão:
- o reconhecimento de que existe legitimidade numa ocupação profissional e que esse profissional pode e deve querer trabalhar profissionalmente com SL.
- reconhecer que para este sujeito poder trabalhar profissionalmente no mercado de trabalho (formal ou informal), é preciso que as ferramentas livres atinjam um patamar de confiablidade/usabilidade ainda não atingido, de forma a poderem interessar e serem adotadas pelo tal "mercado"
- um plano pra angariar recursos que possibilitem uma ação efetiva de desenvolvimento, bem planejado, bem pago e de forma contínua.
Um último esclarecimento: qd afirmo que não dá pra trabalhar no mercado profissional com SL isso é diferente de afirmar que não seja possível produzir com qualidade profissional. É que o mercado de trabalho vai te contratar pra vc trabalhar na ilha dele, no estúdio dele, na produtora dele. E nesses espeços rolam as ferramentas propetas.
Por isso faço a distinção, uma coisa é eu ter a minha produtora entregar o produto final acabado (o cliente nem vai querer saber qual a tecnologia que eu usei). Outra coisa é eu oferecer meus serviços profissionais por aí. Se eu só souber operar em Cinelerra quem irá me contratar? Importante: pra eu ter minha produtora preciso de equipamento caro, enquanto que pra eu oferecer meus serviços só preciso de conhecimento.
Em termos esteticos, que so foram aprofundados por Prado, parece absurdo falar que o suporte, no caso o software de ediçao, direcione ou defina a obra !Em qualquer aspecto isso nao se sustenta, sobretudo depois de decadas de discussoes a esse respeito nao so no cinema como em outras linguagens artisticas!Sendo curto e grosso, isso é um papo que se sustenta por ideologia obsoleta! Teve gente aqui que até sitou marx falando de propriedade, Isso que é pensar apartir de novos tempos???
Jimmy, agradeço a intenção mas software livre está muito longe de ser "tecnologia obsoleta". Estamos aqui falando sobre como melhorar a ferramenta e não defendendo o não uso dela.
abs
Daniel Prado
dtprado@gmail.com
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61 - 8103 2708
--
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