Opa, Dalton
Desanuviando. E sempre na perspectiva de contribuir com a discussão. Ruido é tudo o que não precisamos.
Considero importantíssima a criação de uma secretaria de ID. E louvo a intencionalidade, repito.
Estive presente em quase todas as oficinas de OID, fui implementadora de projetos de ID no meu Estado e também temos um laboratório que estamos tentando tocar, a duras penas. Também acompanho a dor e delicia de diversos telecentros da Rede Mocambos e convivo com muitos órfãos de ID na periferia de Fortaleza.
Não sou vil e nem irresponsável ao ponto de jogar a discussão sem fundamento. Portanto, afirmo:
1. As comunidades/sociedade civil não fazem parte de comitê algum de ID e nunca foram consultadas quando da elaboração de projetos. Ou os projetos dos diversos ministérios respeitaram as resoluções da OID? E são dezenas de projetos de ID Cada ministério tem um. Flo de controle social e participação popular. Passo democrático e seguro para uma politica pública.
Se vc foi consultado parabéns para você.
3. Estive presente em quase todas as oficinas - OID - e as considero importantes, ressalte-se. E sinceramente afirmo que as comunidades, razão maior da existência de ID - não são contempladas. Se assim fosse, teriam resolvido problemas que eles enfrentam diariamente: de sustentabilidade financeira, de formação continuada, de conexão digna e por aí vai. Se a Secretaria vai fazer, fico na torcida, mas presentemente esses assuntos passam à margem da sociedade.
O que o governo acata das oficinas não é nem 10% do que é aprovado em plenária final. Quem faz a triagem, a quem cabe a prerrogativa de cortar ou contemplar propostas? Certamente não é a sociedade civil. Ainda que seja uma boa tentativa, as plenárias são consultuivas. Aceitas quando se é um projeto/proograma. Mas numa política pública, são os fóruns que determinam e o governo tem que acatar. Se você ainda estiver em duvida posso fazer um grafico destacando as propostas e vendo o que o governo acatou ou não.
4. Você esqueceu de citar, mas houve consulta pública sobre os telecentros.br com formato fechado que não tinha muito como sugerir pq o problema era de foco. A esse respeito me manifestei pq não sou de ficar em cima do muro muito menos omissa, vendo direcionamento errado e ficar calada.
5. Sobre os telecentros.br do que apontei na crítica propositiva, há quase um ano, muito do que foi dito está correspondendo ao que estamos assistindo. Ou não é verdade que os 'polos de formação' tiveram que reformular metodologia pq simplesmente não tem como fazer EAD no nosso pais com a conexão Gesac?
6. Outro grande problema é a retirada de implementadores sem nenhuma explicação. Necessidade de formação continuada estava como ponto central em todas as oficinas de ID e não foi priorizado devidamente. Continua no puxadinho. Continua sendo projeto/programa, com prazo e data de validade.
7. Quase todos os projetos/programas tem data de validade. Esse mesmo que você coordena vai até o final do ano e ninguém dá a certeza de contuinidade. Instabilidade é a maior marca dos projetos/programas de ID nesses últimos anos. Espero, sinceramente que isso mude.
8. Como não sou irresponsável, também, pra só jogar questionamentos (mesmo embasados) lançamos propostas de Criação de uma 'Política Digital' que tenha um fundo (FINANCIAMENTO, VERBA CERTA) para este fim e contemple programas de cultura digital, tics etc. Tá lá na entrevista citada. Mas tá lá jogado desprentensiosamente. É um ponto de vista de nós, 'ratos'. Aqueles que dizem: "se gostas dos gatos, experimenta pelo ponto de vista do rato"...
Quando falo em' nós' me refirindo a muitos com quem temos trocado ideias (ex-tics, ex-implementadores gesac, ex-oficineiros do Minc etc) espalhdos nesse mundão e que não são instados a dar pitaco.
Mas podemos nos contentar com o que está. Programas/projetos, política de governo e não de estado. Podemos nos conformar com soluções de curto prazo, de pagamento de bolsistas via CNPq, de oficineiros avulsos sem direitos trabalhistas e tendo que arriscar a vida, de falta de segurança e de mecanismos falhos de controle e participação popular.
Não há indicadores, nem avaliação e nunca, nunca a comunidade conseguiu avaliar senão pela fala de implementadores que são a ponte entre o governo e a sociedade civil. Ainda assim através de relatórios que ninguém lê.
O silêncio instalado em quase todas as listas de discussões sobre os rumos de I.D, apontam pra esse conformismo, mesmo.
Um abraço e sigamos no diálogo.
Andréa
Em 2 de maio de 2011 16:40, Dalton Martins <dmartins@gmail.com> escreveu:
andrea,
concordo não.
toda a articulação que levou a esse secretaria, inclusive seu formato, passou por discussão nas várias oficinas de inclusão digital, por fóruns temáticos e conselhos consultivos.
tem um histório disso online aqui: http://oficina.inclusaodigital.gov.br/ e um registro das cartas finais de plenárias desses eventos, que, até onde sei e participei, sempre foram abertas a participação de qualquer um:
e por aí vai.....
- 1ª Oficina: http://oficina.inclusaodigital.gov.br/files/1_oficina.pdf
- 2ª Oficina: http://oficina.inclusaodigital.gov.br/files/2_oficina.pdf
- 5ª Oficina: http://oficina.inclusaodigital.gov.br/files/carta_porto_alegre.pdf
- 6ª Oficina: http://oficina.inclusaodigital.gov.br/files/carta_salvador.pdf
particularmente, já participei de algumas delas, inclusive pitacando nesses ítens que vc. destaca.
acho que podemos ter uma série de críticas em relação a política e vale a pena ter, sem dúvida.
mas, não concordo que fomos apenas comunicados nessa história.
acho que tem um lance de apropriação desses espaços que vale a pena refletir por aqui.
abs,
daltonEm 2 de maio de 2011 16:02, Andrea Saraiva <andreasaraiva.cb@gmail.com> escreveu:
A comunidade beneficiada, vulgo publico-alvo foi consultada?Implementadores dos vários projetos de TCs foram consultados?Gestores dos muitos projetos, foram consultados?Fomos apenas comunicados....Quem faz da sociedade civil faz parte dos fóruns de deliberação, dos Comitê de ID do Governo?Creio que para ter legitimidade e ser democrático e para ser realmente uma política digital e não meramente mais um programa/projeto, tenha que haver fóruns permanentes não só pra executar mas também para pensar tais políticas.Acompanho projetos de ID desde o inicio do governo Lula. Não consta que tenhamos participado senão como meros executores.Concorda?Um abraço,AndréaUm abraço,AndréaEm 2 de maio de 2011 15:28, Dalton Martins <dmartins@gmail.com> escreveu:
andrea,
pq vc. acha que tal reforma ignora a sociedade?
abs,
daltonEm 2 de maio de 2011 15:21, Andrea Saraiva <andreasaraiva.cb@gmail.com> escreveu:
Lista de discussão da rede MetaReciclagemOpa,Creio que tem uma boa intenção no Ministèrio das Comunicações, mas não posso deixar de comentar que NOVAMENTE tais reformas ignoraram a sociedade.
Creio que fosse momento de institucionalizar o processo de ID do país. Passamos da fase do experimento. E foram muitos e ricos durante o governo Lula.Pensar em Uma POLÍTICA DIGITAL é urgente. Acho que chega de Programas e projetos instáveis, sem nexo uns com os outros....A revista A Rede coletou diversas opiniões sobre o tema. De minha parte esbocei na entrevista um desenho de proposta que temos construido com outros agentes de ID.A Rede conseguiu o que ninguém do governo conseguiu: fazer um relato fiel das condições e apontar propostas.Acredito que a cultura digital tenha que se apropriar dessa discussão e pensar sistemicamente. Por isso estamos cunhando o termo "Política Digital" vez que abrange formação continuada, desenvolvimento, institucionalização e sustentabilidade financeira em Pontos de Cultura, telecentros, escolas e empreendimentos solidários.Sair da política de governo para política pública de Estado. Sair do mero acesso e distribuição de máquinas.Seria tudo mais simples se o Governo nos ouvisse.Pra ler as tais opiniões na A Rede: http://arede.inf.br/inclusao/component/content/article/178-debate/4117-tres-perguntas-17-respostasUm abraço,Andréa SaraivaEm 2 de maio de 2011 14:55, Felipe Cabral <felipe@teia.org.br> escreveu:
http://www.mc.gov.br/noticias-do-site/23359-decreto-altera-estrutura-do-ministerio-das-comunicacoesDocumento publicado hoje no Diário Oficial traz mudanças importantes para ampliar inclusão digital e dar mais atenção ao setor de radiodifusão comunitária.
=D
Yes!--
Felipe Cabral
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