Seguidores

Tecnologia do Blogger.
RSS

Re: [gtCD] audio radio digital

Oi pessoal,

Antes de tudo, preciso corrigir: quando falamos do espectro, poderíamos ir longe e discutir o mito da interferência, destacando outras possibilidades de funcionamento técnico da radiodifusão:

"O espectro está mais para as cores do arco-íris, inclusive aquelas que nossos olhos não podem discernir. Reed diz: Não há nenhuma escassez de espectro mais que há uma escassez da cor verde. Nós poderíamos ligar imediatamente na Internet todo o mundo que recebe um sinal de rádio, e eles poderiam bombear tantos bites quantos jamais desejassem. Sairíamos de uma economia de escassez digital para uma economia de abundância digital."

http://www.culturadigital.br/josemurilo/2014/11/10/o-mito-da-interferencia-no-espectro-de-radio/

Mas indo direto aos pontos levantados:

Quando falo em qualidade, refiro-me aa quantidade de dados emitidos: se transmitimos em alta-definicao (hd tv), precisamos dos mesmos 6Mega de banda originalmente necessários no analógico. Se diminuirmos a quantidade de dados emitidos, podemos ter 4 canais com qualidade de dvd ocupando os mesmos 6Mega (ou 3 canais de 1,5, e um canal de retorno para interatividade, etc.). No radio digital, a mesma lógica: se quisermos transmitir em 5.1 surround, isso vai ocupar mais banda que uma qualidade de cd. A questão técnica (que eh politica e estética) eh a seguinte: sem um equipamento capaz de receber a "qualidade" pretendida, não faz sentido enviar os dados, ou seja, sem caixas de som distribuídas em uma sala (ou carro), não seremos capazes de usufruir do 5.1 no radio (e isso pode custar o envio de outros dados, diminuir a interatividade, etc.).

Vou insistir em um argumento que apresento com frequência: a atual migração dos sistemas analógicos para digitais vem sendo compreendida como análoga aa passagem do preto-e-branco para o colorido, ou seja, como um caminho natural e evolutivo de qualidade. Com isso, a globo forja um sistema de alto custo que exclui economicamente seus concorrentes (para transmitir hd precisa gravar em hd...), quando, na verdade, estamos falando de estética (quem quer uma imagem onde não conseguimos perceber todas as cores?, ou pra ver detalhes antes sem importância, que encarecem cenários, aumentam a maquiagem sobre as rugas, etc...)

Vou usar um outro exemplo: Tom Jobim afirma que a bossa nova eh resultado de uma limitação técnica: como não havia no Brasil as mesmas mesas de som de 8 canais que nos EUA, precisou-se "limpar" a bateria, do samba, e joao gilberto ficou mesmo soh com o tamborim... qualquer semelhança com a critica que alguns fazemos sobre produção audiovisual em software livre versus proprietário não eh mera coincidência: http://9s.antropologias.org/archives/195)

em suma: o que eh qualidade?

Quem tem o poder de aumentar ou diminuir os dados circulando eh quem emite: mesmo que os receptores não sejam capazes de decodificar o sinal completo, se estiver no eter, estah ocupando espaço. Quando digo vizinho, pode ser em qualquer parte do espectro, porque o radio cognitivo vai achar onde estah vazio e o software defined radio aloca, divide, comprime, faz o diabo com o sinal de maneira a garantir que chegue aos receptores. Mas atenção: a perspectiva de ocupação do espectro que defendemos eh a da liberdade de expressão das pessoas, onde a figura de um operador de rede eh totalmente desnecessária (e inadequada). Mas como regular isso? Estabelecendo quantidades mínimas e máximas de dados? Multando quem abuse do sinal? Deixando que essa lógica opere apenas em uma faixa de Espectro Livre, para fins experimentais? Enfim, podemos retomar esse assunto com mais calma depois, especialmente se a tecnologia escolhida der conta disso tudo, certo?

Sobre o direito de antena, muito grato por levantar essa bola, João.

Gosto muito da perspectiva que relaciona a transmissão de ondas electromagnéticas aa sadia qualidade de vida, tal como presente em "O direito de antena face ao direito ambiental no Brasil", de Celso Pacheco Antonio Fiorillo. A tese dele eh super controversa no meio de telecom porque afirma que as ondas se propagam no ar (e não no vácuo....), aproximando o direito de antena dos bens ambientais. Eh uma tese de direito difuso, que argumenta pela alocação municipal de espectro baseada em um relatório técnico de impacto ambiental. Parece doido, mas se pensarmos que vivemos colocando aparelhos no ouvido, perto do cérebro, e que isso pode nos causar imensos males aa saúde, pra mim faz sentido que nao sejam os milicos/brasilia a dizer se pode ou não transmitir, mas localmente técnicos com equipo de medicao de ondas...

por hj tah bom, neh?

abrah!



Em domingo, 12 de abril de 2015 21:03:42 UTC-3, João Paulo Mehl escreveu:
Fiquei com esta mesma dúvida da FABs. Quem vai gerir este processo de aumento/diminuição da qualidade? 
O que significa esta abundância? Como isto entra no debate do "direito de antena"? 

valeu

Em 12 de abril de 2015 19:40, fabianne balvedi <fa...@estudiolivre.org> escreveu:
salve novaes, gratidão pelo debate e pelo compartilhamento
de todas estas informações. Gostaria de aproveitar a onda pra
perguntar sobre a qualidade, vide abaixo:


2015-04-12 1:39 GMT-03:00 novaes <tno...@gmail.com>:
[...]
> Mas o fundamental eh o seguinte: a mudança que o digital proporciona eh de
> PARADIGMA, ou seja, ao inves de tratar o espectro como finito, passamos
> enxerga-lo como abundante, basicamente por dois motivos técnicos:  o radio
> cognitivo enxerga os espacos vazios no espectro, tornando o Estado obsoleto
> na atribuição de janelas, como se fossem propriedade de quem ganha
> concessão; e com radio definido por software, a lógica eh de
> compartilhamento de espectro, não de exclusividade: se alguém aparece
> querendo transmitir em uma frequência vizinha, podemos diminuir a qualidade
> da transmissão e abrir espaço para esse novo emissor.

o que exatamente significa essa diminuição da qualidade?
tipo, o quê exatamente na transmissão vai perder qualidade?

e vocẽ diz "podemos"... podemos quem? quem terá esse
poder de diminuir a qualidade pra dar vez pro seu vizinho
se fazer ouvir também?

abração,

.fabs
.
.

--
--
Essa mensagem foi postada no grupo: http://groups.google.com/group/gtculturadigital?hl=pt?hl=pt-BR

Esse grupo está ligado ao Movimento Cultura Digital:
http://culturadigital.br/movimento

---
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "GT Cultura Digital" dos Grupos do Google.
Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para gtculturadigit...@googlegroups.com.
Para obter mais opções, acesse https://groups.google.com/d/optout.



--
João Paulo Mehl
(41) 3077-4163 / 9221-1909

recomendo:
soylocoporti.org.br
intervozes.org.br
direitoacomunicação.org.br

--
--
Essa mensagem foi postada no grupo: http://groups.google.com/group/gtculturadigital?hl=pt?hl=pt-BR
 
Esse grupo está ligado ao Movimento Cultura Digital:
http://culturadigital.br/movimento

---
Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "GT Cultura Digital" dos Grupos do Google.
Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um e-mail para gtculturadigital+unsubscribe@googlegroups.com.
Para mais opções, acesse https://groups.google.com/d/optout.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

0 comentários:

Postar um comentário