opa,
Legal a continuação, Bruno, que de fato se distancia dos discursos mais frequentes da esquerda militante que eu conheço."não se trata portanto de uma superação do antigo, uma evolução do pensamento etc mas sim de uma disputa de desejos, perspectivas, composições".
abrá!
2014-04-07 15:29 GMT-03:00 bruno tarin <brunotarin@gmail.com>:
Acho que as tecnologias partem/são perspectivas, ou seja são sujeitos e que os sujeitos não se formam "do nada". Os sujeitos são criações/produções atravessadas por conflitos ou em outras palavras relações entre sujeitos ativos. E que dependendo do jogo de forças colocado, determinados modos de ser/fazer se tornam mais fortes ou mais fracos. Não se trata de um determinismo, ou mesmo pensar um privilégio do estabelecido sobre o insurgente, ou do hegemônico sobre o hegemonizado, do formal sobre o informal, pelo contrário trata-se de privilegiar as disputas que estão colocadas nos processos de constituição. Sobre a questão do rádio digital e das "esquerdas" entendo seu ponto de vista e admiro o seu trabalho, mas talvez a questão possa ser deslocada de a esquerda "têm tido uma dificuldade muito grande em apoiar o sistema aberto" para a esquerda deseja algo diferente - por vários motivos. Dessa forma, não se trata portanto de uma superação do antigo, uma evolução do pensamento etc mas sim de uma disputa de desejos, perspectivas, composições. Dar expressão a novos territórios e corpos é criar novas tecnologias.Segue rima...
Abs!2014-04-07 11:33 GMT-03:00 Thiago Novaes <tnovaes@gmail.com>:
[Debate-FML]Vou trazer outro exemplo que pode interessar: atualmente se discute sobre qual o sistema de rádio digital deve ser adotado no país. Os grupos de comunicação "de esquerda" têm tido uma dificuldade muito grande em apoiar o sistema aberto (em detrimento do fechado) pois argumentam que a técnica em si não vai dar conta de democratizar as comunicações. Ignoram assim as questões econômicas envolvidas na produção distribuída (ao que se opõe o monopólio, desejo de todo capitalista), a multiplicação exponencial de canais emissores (acreditam apenas nos sujeitos que emitirão os conteúdos emancipadores "de fato", contra-hegemônicos!, uma forma de gênio educado do bem...), e, mais importante talvez, desconhecem em sua proposta de lei que o digital não é a evolução natural do analógico, mas permite usos antes imprevistos (esse raciocínio sobre a evolução técnica é fundamental). Ou seja, a tv digital não é, naturalmente, a passagem do colorido para o super-colorido (pra ver novela e jogo em HD), mas uma possibilidade real de multiplicação de emissores, de compartilhamento de infra-estrutura de transmissão digital de dados de alta capacidade. Rádio digital não é áudio sem ruído, mas uma plataforma de comunicação que inclui o audiovisual, dados de toda sorte, implodindo os conceitos que balizavam a regulação de comunicação social analógica. Sem entender a tecnicidade envolvida nas técnicas, a esquerda segue alienada em discursos impotentes de igualdade de acesso quando detém a oportunidade histórica de ruptura com um sistema de controle (de comunicação, de tecnologia) ainda extremamente vertical. E tem mais, muito mais... inté!Na perspectiva do Tygel e Bruno, há um humano por detrás da técnica que busca se emancipar, e as ideologias vêm atrapalhando ou ajudando (de acordo com cada uma...) a esse projeto. Entretanto, objetos técnicos são eles mesmos concretizações de pensamento humano, de relações sociais, o que nos autoriza a falar em sócio-técnica. Quando insisto em falar da tecnicidade do sw livre, é porque ele carrega relações sociais potenciais que o sw proprietário não permite: não existe um "antes" e um "depois" da técnica. Dito de outra maneira: o sw livre não é um fim em si, mas um bom começo... claro que a Nokia criou sua forma de lucrar com isso, assim como o Creative Commons reificou a noção de autor quando esta já implodira sob o wiki, ou da circulação dos torrents... mas isso dentro de batalhas de uma guerra muito maior...Eu entendo as colocações do Tygel, e agora do Bruno, e vou tentar justificar melhor o que aproxima o que estamos falando (até agora fabs e pr.thiago...).ois,feliz também que o debate segue instigante.
Em 7 de abril de 2014 01:37, bruno tarin <brunotarin@gmail.com> escreveu:
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: "bruno tarin" <brunotarin@gmail.com>
Data: 07/04/2014 01:32
Assunto: Re: [DebateFML] A tecnoutopia do software livre: uma história do projeto técnico e político do GNU
Para: "debatefml" <debatefml@listas.hipatia.net>
Cc:Pessoal se me permitem um pitaco a questão não é se há ou não ex nihilo ou o gênio (ditador ou não) mas sacar q tecnologia antes de ser técnica é relação social e q relações sociais tem consequências políticas, ou em outras palavras criam verdades e mundos mais fechados ou mais abertos a depender dos conflitos colocados. Quero dizer q vale olhar antes pras lutas e subjetividades em jogo do q nos objetos técnicos ou nas instituições (reduzidas ao constituído). E gostaria mt de ver/conversar sobre essa relação proposta sobre economia, tecnologia e cultura no espaço/ tempo q partilhamos. Abs e feliz de ver esse debate!
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