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Re: [gtCD] Agenda da Ministra 20 de setembro

Oi Aline!


Achei importante sua forma de ver as coisas. Tem um grau certamente de maturidade e desejo de entendimento e aprofundamento. Gostaria de responder com um complemento do mesmo email que escrevi, só que modificado com determinadas ampliações importantes. Postei isso em outra lista e repito por aqui. 

Estive presente e encontrei, daqui da lista, o Leo Germani, o Uirá, o Daniel Prado, a Ivana e o Claudio Prado de vista. 

Havia, no meu caso, uma viagem de trabalho marcada para Brasília junto ao Serpro e telecentros.br, minha e de outras pessoas do Coletivo Digital, e dado o contexto dessa apresentação da ministra fomos até o MinC.

Acho que não há como analisar nada por hora. Existem poucos elementos que demonstrem hoje, cinco dias de novo ministério, as estradas pelas quais esse MinC e sua nova gestão irá percorrer. A ministra ouviu as pessoas que estavam presentes e que quiseram falar e não ouvi obviamente as que não quiseram e as que quiseram e não tiveram tempo. Fez falas de reconhecimento dessas iniciativas/pessoas que estavam presentes. 

É interessante, no entanto, observar como esse "ato público", se é que é possível chamarmos assim porque teriamos de ter um entendimento comum do que é para nós ato público para podermos chamá-lo assim, foi constituído, quem "senta na mesa", "quem fala", "quem intermedia a chamada das pessoas", quem conceitos de participação social estão nas entrelinhas de coisas assim, entre outros detalhes (que no fundo dizem, penso eu, do que se pretende como fim desses processos em muitas situações sociais). 

Há pontos bastante interessantes, se quisermos chamar a atenção para os significados de determinados parâmetros e processos, do que aconteceu ontem e do que pode marcar esse novo ministério e a relação com ele. Por exemplo:

- O uso de redes (sociais) proprietárias como válidas e factíveis de entendimento de comunicação compartilhada e democrática e a ovação desse uso é um equivoco da perspectiva da construção de qualquer política que pense autonomia, protagonismo social, garantia de direitos e sustentabilidade nas relações de equidade de classes no âmbito do trabalho e do poder. Determinadas práticas de midialivrismo e mídia tática, tão caras a um patamar igualitário do ponto de vista de uma sociedade de direitos comunicacionais, passam longe desse conceito e desses usos. É possível fazer a leitura de que "debate" ou se quiserem o "encontro" de ontem esteve bastante descuidado e descompromissado com essa questão, para dizer o mínimo. 

- O uso do termo Cultura Digital, que é impreciso, parcial e sem contornos para tratar de temas amplos das interações mediadas por computador, especialmente às ligadas ao registro, produção e comunicação de manifestações culturais das mais diversas, tem sido difundido e tem mediado (para não dizer monopolizado) todo tipo de diálogo no que se refere a políticas digitais transversais para cultura dentro do minc e entre diversos grupos. Ontem essa mesma difusão de conceito e essa mediação por esse conceito esteve certamente presente, inclusive enquanto "validade de representação" de quem estava por alí, mesmo sabendo conforme você mesma disse, que era muito maior o range de assunto/temas e pessoas ligadas a esses assuntos/temas presentes. Na agenda da ministra, por exemplo, estava escrito "14:00 Reunião com Pablo Capilé e representantes da cultura digital". Pode ter sido apenas um equivoco e/ou uma maneira do senso comum já tão difundido, da pessoa que escreveu, colocar dessa forma. Mas de qualquer maneira mostra o quanto esse conceito, a qual repito impreciso, está presente em muitos detalhes. Um outro aspecto importante sobre isso é como o termo se tornou uma bandeira de marcação de território. Nesse sentido, usar "cultura digital" ou qualquer outro termo (dai vem a disputa semântica) é instaurar uma tecnologia. Uma tecnologia de convocação, de controle e de poder. O Foucault e o Deluze tem um trabalho bem interessante sobre isso, se alguém quiser referências. 

- O uso do termo "movimento social das culturas" (e algumas derivações disso, ora mais no plural ora no singular) que igualmente é impreciso e não traduz, ainda que possa ser declarado com uma intenção de representar algum entendimento comum de classe daqueles que usam sua força de trabalho e permeiam seu cotidiano por atividades culturais independentes (com toda imprecisão que a palavra independente também tem), autonomas e contrassistêmicas, para designar grupos que atualmente tem ocupado espaços de mídia e espaços políticos com intenção de reivindicação de direitos, também tem aparecido bastante por aí e apareceu bastante ontem. Fico me perguntando se o cantador de literatura de cordel de Olinda que escreve versos sobre a seca e o cangaço numa tentativa talvez de transformar em arte e problematizar as mazelas da vida (ou simplesmente lidar com questões existenciais) sabe que ele faz parte, em um discurso subentendido quase autorreferenciado e pretensamente de conhecimento comum e compartilhado, dessa "classe" do "movimento social das culturas". Ou ainda se a garota que vi no telecentro das mulheres sem-terra de São Miguel Paulista dentro do Ponto de Cultura de lá sabe que ela é do "movimento social das culturas". 

- O olhar para a Cultura Livre não pura e simplesmente ao seu potencial econômico liberalista mas sim ao potencial de acesso e de construção crítica de uma realidade imaterial distribuída e democratizada também tem, ainda na minha opinião em processo de construção, se apresentado aquém do esperado;

Creio que se algum espaço de debate fosse garantido (mas muito antes e principalmente desejado) para a discussão desses temas e aspectos, certamente, haveria avanços em construções pluralmente mais respeitosas e democraticamente mais coesas. 

Por hora é isso. Quem se sentir a vontade para levar esses temas a algum nível de discussão que possibilite estabelecer ou romper paradigmas de consenso e de entendimento na busca por compreensões possíveis, saiba que estarei por aqui bastante interessado em ouvir e ser ouvido. 

No mais, acho que a criação de inimigos comuns e a convocatória de lutar contra isso é válida para quem quiser, desde que entendida assim e feita como uma escolha consciente, mas entendo que é uma perda quando delegamos qualquer instância da nossa capacidade de refletir à massa. Sobretudo quando isso se coloca como mais importante do que qualquer possibilidade de esgotamento de diálogo na busca por entendimentos e conscientizações. Vide conceito de vulgaridade e de paixão pela instrumentalidade by Contando Calligaris. 

Abraço,



Em 21 de setembro de 2012 10:42, Aline Carvalho <alinecarvalho.cultura@gmail.com> escreveu:
Meninos, vcs tem toda a razão de reivindicar maior diálogo e circulação de informações aqui na lista, e as reflexões sugeridas pelo Felipe são super pertinentes.

Mas como o Claudio explicou, a reunião com "a cultura digital" foi o atalho semântico encontrado pelo MinC "analógico" para descrever "aqueles que não se davam com a minsitra anterior".

E, ainda assim, foi muito importante o encontro de ontem. Não vamos cair na ilusão de a Marta Suplicy é hacker ou que agora "somos todos da mesma turma", longe disso. Mas uma porta foi reaberta, por iniciativa de quem quer que seja, e cabe a nós agora usarmos isso a nosso favor.

Até pq falou-se muito além da cultura digital. Quem pôde acompanhar por streaming, viu que teve na pauta pontos de cultura, PEC 150, cineclubismo, economia criativa, povos tradicionais - e um ou outro merchandising que não podia faltar rs - dentro desse guarda-chuva mais ou menos aleatório que resolveram chamar de "movimento social das culturas". (Chamem como quiser, não vai ser uma disputa semântica que vai atrasar o que já está tão atrasado né?)

Reaberto o diálogo com o Minc, é preciso que a cultura digital se re-organize de fato em torno de suas pautas específicas, senão um nome na moda como esse acaba sendo mesmo reapropriado a torto e à direita.

Gosto muito de uma fala da Naomi Klein durante o acampamento Occupy Wall Street ano passado:
"Estejam conscientes que haverá sempre a tentação de se voltar contra alvos menores - como, por exemplo, a pessoa sentada ao nosso lado neste encontro. Afinal das contas, é uma batalha mais fácil de se ganhar."

Claro, é super importante manter o espírito crítico e o olhar atento. No entanto, há quem queria o poder, e há quem queira denunciar, mas há muita gente que quer, acima de tudo, fazer o barco andar.

E aí, quais são nossas pautas da cultura digital hoje, no que diz respeito à articulação com o Ministério da Cultura?






Em 21 de setembro de 2012 11:10, Uirá Porã <uira@culturalivre.org> escreveu:

Pessoal, 

acabo de chegar em Fortaleza depois de passar a noite num voo que parou pra fazer conexão em são luís às 03h da manhã, e não consigo dormir.

Catarina, acho que a ministra captou muito bem o problema do Brasil OFF LINE:

Foi um momento histórico.

abraços

2012/9/20 Daniel Marostegan <daniel@teia.org.br>
Também cocordo com o Belisário,
acho que é fundamental uma reunião direcionada para debater a Ação Cultura Digital e as suas especificidades.
Felipe, considero muito importante avançarmos nessas reflexões e imprecisões que vocẽ aponta. Como vivemos a construção dos termos, talvez em alguns momentos esse "q" de "impreciso" pode até ter nos beneficiado coletivamente, no momento parecem não nos ajudar muito.
Sinto que no campo dos chamados "movimentos sociais da cultura" existe uma disputa semântica "silenciosa" na qual precisamos nos posicionar. Já que quando utilizamos deterninadas terminologias nem sempre pretendemos comunicar o mesmo conceito. Quando leio a descrição da agenda da ministra esse é o meu sentimento.

Em 20 de setembro de 2012 15:13, Felipe Cabral <felipe@teia.org.br> escreveu:

Concordo com o Adriano Belisário. 

Aproveito a oportunidade para problematizar os seguintes temas e aspectos:

- Uso de redes (sociais) proprietárias como válidas e factíveis de entendimento de comunicação compartilhada e democrática e a ovação desse uso. Determinadas práticas de midialivrismo e mídia tática, tão caras a um patamar igualitário do ponto de vista de uma sociedade de direitos comunicacionais, passam longe desse conceito e desses usos. 

- Uso do termo Cultura Digital, que é impreciso, parcial e sem contornos para tratar de temas  amplos das interações mediadas por computador, especialmente às ligadas ao registro, produção e comunicação de manifestações culturais das mais diversas;

- Uso do termo "movimentos sociais de cultura" que igualmente é impreciso e não traduz, ainda que possa ser declarado com uma intenção de representar algum entendimento comum de classe de grupos que usam sua força de trabalho e permeiam seu cotidiano por atividades culturais independentes (com toda imprecisão que a palavra independente também tem), autonomas e contrassistêmicas, para designar grupos que atualmente tem ocupado espaços de mídia e espaços políticos com intenção de reivindicação de direitos. 

Creio que se algum espaço de debate fosse garantido (antes desejado) para a discussão desses temas e aspectos, certamente, haveria avanços em construções pluralmente mais respeitosas e democraticamente mais coesas. 

Abraço,




Em 20 de setembro de 2012 14:14, Adriano Belisário <adrianobf@gmail.com> escreveu:


obrigado a todos pelos esclarecimentos :)

apenas um comentário, uirá. não é uma crítica, mas uma reflexão sobre a forma como nos comunicamos.... eu particularmente uso cada vez menos twitter e ainda acredito no potencial desta lista como espaço de articulação das pessoas que estão envolvidas com a cultura digital e software livre aqui no Brasil (basta ver esta própria thread)... considerar que a reunião foi tornada público para nós apenas porque uma pessoa qualquer tuitou no perfil dela não acho que seja muito adequado... mas tá valendo... legal a iniciativa de transmitir a reunião, pena que estou em viagem e não conseguirei acompanhar... aguardarei os relatos aqui! 

seria muito oportuno aproveitar este encontro para tentar agendar uma conversa específica sobre a ação cultura digital, que possui suas particularidades e especificidades para com o FDE e do movimento social das culturas (a meu ver...). ao que parece, a ministra tem sensibilidade para o tema e quem sabe pode dar novos rumos para a ação, depois desta ter sido completamente abandonada... 

sorte a todos em brasília,

Em 20 de setembro de 2012 13:44, Paulo Morais <paulo.morais@viraminas.org.br> escreveu:

Como disse o Claudio Prado, a reunião não foi articulada em nome da "Cultura Digital".

Foi articulada pelo Fora do Eixo, que como a gente sabe, não é a cultura digital (não digo isso minimizando nada, apenas relatando). 

Fui convidado pelo FDE pra ir lá, mas tem outro representante da comissão dos Pontos de Cultura aqui de MG indo com a van de BH.

Assim que tiver notícias, também boto na roda.

Abraço pra todo mundo.


Em 20 de setembro de 2012 12:40, Daniel Marostegan <daniel@teia.org.br> escreveu:

Salve Galera,
não poderei estar presente mas acho a reunião muito importante.
Considero que o maior desafio para os presentes é representar a diversidade de pensamentos e realidades desse brasil enorme. O que não cabe em uma fala única, em uma única forma de se organizar, de articular e de pensar as coisas. Boa reunião galera!!!
Uirá e demais, seria bacana rodar nas redes um relato do que rolou na reunião :) , praqueles que não poderão acompanhar o streaming. Pode articular isso por aí?
Vontade grande de estar presente.
um abraço

Em 20 de setembro de 2012 12:21, Felipe Cabral <felipe@teia.org.br> escreveu:

To. Nos vemos.

No dia 20 de Set de 2012 12:13, "Federico" <fred@linguagemdigital.net> escreveu:

O Felipe, você está aqui?

Nos vemos.

Abraços,

Fred

Em 20-09-2012 11:04, Uirá Porã escreveu:
2012/9/20 Felipe Cabral <felipe@teia.org.br>

Que eu saiba nenhum representante do gt Cultura Digital dos Pontos de Cultura estará presente, nem sequer participou da articulação disso.

Opa!

Tem mais de um representante do GT Cultura Digital aqui em Brasília, estamos presentes sim :)
Quanto à articulação disso, todos participamos sim, mas o emissário foi o Capilé, que marcou a agenda com a ministra (por isso a descrição esquisita na agenda). Mas desde o primeiro instante a reunião foi publicizada e é aberta para que qualquer pessoa participe.

Se liguem nos tuítes, do dia da posse:

Todos foram retuitados por mim e pelo @pontosdecultura. 

Como de costume (costume da gestão gil/juca, eu digo), a reunião será transmitida pela internet no site postv.org e haverá espaço para participação online pra quem quiser mandar perguntas. 

Tamo dentro, tamos juntos e tamos mais fortes do que nunca. Não à toa a ministra dedicou 3 parágrafos do seu discurso de posse à Cultura Digital, ela saca da parada e vai querer fortalecer, tenhamos certeza. Cabe a nós pauta-la, situa-la e continuar andando, depois dessa pausa de 2 anos ;)

abraços

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