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[gtCD] Re: Copiar e Colar , Kenneth Goldsmith e sua NOVIDADE do pastiche!

Conceito atual de plágio divide especialistas

Para o professor de teoria literária Alcir Pécora, achar que 'copia e
cola' refresca métodos de criação é inocente

DJ e produtor conhecido por 'samplings' diz dar crédito a autores, que
'agradecem por divulgação'

CAROL NOGUEIRA
DE SÃO PAULO
O que o ator e diretor Sylvester Stallone, os músicos Rihanna,
Beyoncé, Lady Gaga, Coldplay e Lil Wayne, a TV Globo e o estúdio que
produziu o filme "Kung Fu Panda" têm em comum?

Todos eles são autores de obras acusadas de plágio. E isso somente no
ano de 2011.

Seria o fim da originalidade? Ou será que o processo criativo
contemporâneo consiste justamente em citar obras já produzidas, como
defende Kenneth Goldsmith no livro "Uncreative Writing"?

Alcir Pécora, professor de teoria literária da Unicamp, é partidário
da primeira ideia.

"Vejo que há um esgotamento da produção literária atual. Os grandes
modelos de prosa dos romances estão muito esgotados", avalia.

Para ele, o aumento na quantidade de obras que pegam "emprestado"
trechos de outras é uma das marcas do século 21. "Nada parece muito
fecundo hoje em dia, como era no século 18 ou 19."

"Hoje em dia, tudo é 'ready-made' [conceito criado por Duchamp no
século 20 pelo qual objetos cotidianos são transformados em arte]",
afirma Pécora. "Ninguém mais parece uma fonte positiva."

O advogado Caio Mariano, especialista em direito autoral, enxerga uma
mudança de comportamento na cadeia de produção da nova geração de
autores. "Muitos artistas acabam infringindo direitos autorais,
achando que podem 'samplear', por exemplo, sem pedir autorização dos
titulares. Mas a lei é clara. Citações devem ser nominais", diz.

Um dos principais nomes brasileiros para a cultura do "sampling" e dos
"mashups", o DJ e produtor João Brasil discorda de Mariano.

"Nunca tive problema com isso, pois sempre dou crédito ao artista
original e nunca vendi os mashups. Vários artistas já me agradeceram
pela divulgação", conta o DJ.

A posição de João Brasil está correta, de acordo com o advogado Thiago
Mendes Ladeira, também especialista em direito autoral.

Ele afirma que é importante que os artistas defendam sua propriedade
intelectual.

"Se as obras não fossem protegidas pela lei de direitos autorais, qual
seria o incentivo do autor para criar? E como ele lucraria com isso?",
questiona Ladeira.

O advogado atribui o aumento de casos de plágio à internet. "É como o
aluno que usa o computador para copiar um trabalho de escola", diz.

Embora a lei nº 9.610/98, que passa atualmente por projeto de
atualização, não mencione a internet, Mariano não enxerga isso como um
problema. "As regras do mundo off-line são as mesmas que aquelas do
mundo on-line", afirma.

"Que há uma crise na produção cultural atual, não há dúvida. Mas achar
que esse 'copia e cola' pode funcionar como base para um novo método
de criação é muito inocente", opina Pécora.

On Nov 24, 12:39 pm, Jimmy Avila <jimmy...@gmail.com> wrote:
> Artista e escritor que fundou o site UbuWeb cria o manifesto da
> escrita não criativa e garante que a literatura do futuro será feita a
> partir de novas versões e cópias do que já estava escrito
>
> SILAS MARTÍ
> DE SÃO PAULO
> Kenneth Goldsmith acha que está fazendo arte quando senta e reescreve
> palavra por palavra a edição do dia do "The New York Times".
>
> Também anda fascinado com a advogada californiana que publica num blog
> sentenças de condenações por estupro como se fossem poesia, sem
> alterar uma única linha.
>
> "Ficou claro que a escrita do futuro tem mais a ver com mudar as
> coisas de lugar do que com criar novos conteúdos", afirma ele.
> "Samplear [utilizar trechos de obras já prontas] alguma coisas vale
> mais do que essa coisa em si."
>
> Goldsmith, artista e escritor americano que fundou o site UbuWeb,
> acredita tanto nisso que escreveu um livro-manifesto. "Uncreative
> Writing", ou escrita não criativa, ensina como ser um autor em plena
> cultura do remix.
>
> "Essas ideias não são novas, mas não tinham chegado à literatura",
> opina. "É um debate ainda muito rudimentar se pensarmos que nas artes
> visuais a questão de plágio e deslocamento começou com o urinol de
> Marcel Duchamp, lá atrás, em 1913."
>
> Das artes plásticas à música, em tempos de difusão ultraveloz na
> internet, o mundo vem redefinindo a ideia de cópia e plágio, dando
> muitas vezes peso de original a novas versões do que já existia.
>
> Na literatura, a febre do remix causa as distorções que viraram objeto
> de estudo de Goldsmith, ele mesmo gastando horas do dia em exercícios
> tediosos como copiar artigos de jornal para ver onde surgem erros
> espontâneos, frutos de sua desatenção.
>
> "Tudo o que escrevo é horrível, impossível de ler", reconhece. "Mas
> não estou interessado em leitura, é só um estopim para discussões."
>
> Ao observar falhas de linguagem, Goldsmith concluiu que a raiz disso
> já estava na poesia concreta dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos,
> na literatura transtornada dos beatniks e na justaposição de tudo,
> possível só na era da internet.
>
> No ubu.com, por exemplo, é possível ver vídeos dos Beatles e peças de
> Samuel Beckett. "É um espaço utópico, em que tudo conversa", diz.
> "Reenquadro o que existe para criar algo novo, um colapso dos gêneros
> artísticos."
>
> Seu próximo passo é reescrever o clássico ensaio do alemão Walter
> Benjamin sobre as galerias comerciais da Paris do século 19, só que
> transpondo a ação para as ruas de Nova York no século 20.
>
> Nessa versão, personagens trocam de pele -Baudelaire, por exemplo,
> vira o polêmico Robert Mapplethorpe.
>
> UNCREATIVE WRITING
>
> AUTOR Kenneth Goldsmith
>
> EDITORA Columbia University
>
> QUANTO R$ 168,80 (260 págs.)

--
Essa mensagem foi postada no grupo: http://groups.google.com/group/gtculturadigital?hl=pt?hl=pt-BR

Esse grupo está ligado ao Movimento Cultura Digital:
http://culturadigital.br/movimento

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