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Re: [gtCD] Re: Abrindo o Código Fechado



Em 4 de agosto de 2011 07:47, Skárnio <thiago@skarnio.tv> escreveu:
Renato, não entendi muito qual é a questão.
Por aqui o Kdenlive tem sido bem eficiente na edição de vídeos.

@skarnio

Oi skarnio, o lance é uma perspectiva de uso power. Explico: fui durante anos hard user do cinelerra e tive a alegria de integrar uma equipe que desenvolveu um super projeto de TV colaborativa com os pontos de cultura (o saudoso Ponto Brasil), no qual trabalhei com o cinelerra dentro do esquemão de TV (foi uma das primeiras, senão a primeira, experiência de uso de SL para edição profissional de TV).

Neste programa minha função era de orientação técnica em set de filmagem (uma espécie de oficineiro prático pau pra toda obra), e posteriormente a edição e finalização dos programas baseados nas pré-edições enviadas pelos pontos.

Existia muito preconceito na diretoria da TV Brasil por conta do ineditismo da produção colaborativa e quanto a qualidade técnica do que viria. Vivíamos cercados de ameaças veladas de que os programas poderiam ser vetados caso não correspondessem à norma técnica da EBC (um documento [em anexo] cheio de especificações e um engenheiro húngaro que analisava tudo no vectorscope e waveform antes de aprovar).

No período de finalização começamos a bater no teto. Além do programa ser gravado e editado em HDV, precisávamos analisar as imagens em monitor de referência pra correção de luz e cor, exportar pra fita com precisão de timecode e ele exigia que tanto a captura quanto a exportação fossem feitas por cabo de vídeo componente (firewire era expressamente vetado, ele dizia que já tinha comparado o resultado nos aparelhos e seria capaz de identificar caso usássemos firewire).

Pois bem, alguém sabe como mandar sinal componente de vídeo HD pra um monitor de referência usando cinelerra? Uma vez (só uma), consegui enviar sinal SD por firewire do cinelerra. Funcionou só uma vez e nunca mais. Percebe a diferença?

Na época pesquisei bastante, cheguei a procurar o liquuid sobre exportação pra fita (me parecia possível, pois se o dvgrab captura em HDV, por que não haveria também de fazer o caminho de volta?). A resposta foi algo do tipo "se souber de alguém que já o tenha feito, me avise".

A situação era essa. Se eu conseguisse fazer as tarefas por firewire já ficaria feliz mas nem ao menos isso rolava. Muito menos por placa com entrada e saída de vídeo componente (pergunta dois: alguém sabe como faz pra trabalhar com uma placa dessas em linux?).

Outra questão é de deadline.

Em TV vc precisa fazer tudo isso com qualidade e dentro do prazo. Pra isso vc precisa confiar na ferramenta, precisa chegar ao final de um dia de trabalho sem precisar de retrabalho. 

Todas essas questões não são pra desmerecer, muito pelo contrário, são pra nortear um processo que está empacado por conta de falta de feedback (liquuid matou a charada, vou comentar em outro mail).
 
Então, pra uso profissional de vídeo acreditem, estamos a anos luz de distância.

E os propetas não param de melhorar! É triste mas é real.

Precisei aprender operar uns propetas nessa fase do Ponto Brasil (até então eu era purinho... um verdadeiro virgem, rsrsr), e isso me fez enxergar a diferença. Quem só anda a pé, acha que bicicleta é rápido, né?

Hoje em dia, com três bocas pra sustentar (quatro com a minha), uso SL pra praticamente tudo. Menos edição de vídeo. 

Uso gnu/linux não só pq é uma atitude política mas principalmente pq é estável, seguro e eficiente. Uso open-office pelos mesmos motivos. Pq na hora de ganhar o pão de cada dia eu deveria usar uma ferramenta que não me dá condições de trabalho adequadas?

Continuo acreditando que o caminho é esse e continuo me considerando militante da área mas encaro essa crítica como algo necessário pra alavancar a coisa.

Agora vou ali comentar a msg do liquuid.

abs



On Aug 4, 1:24 am, Renato Fabbri <renato.fab...@gmail.com> wrote:
> Segue abaixo um complemento.
>
>
>
> > 3) invadir o dev das empresas e pegar esses códigos, difundi-los
> > 4) entrar com uma ação na justiça alegando patrimônio da humanidade (e
> > homicídio forçar o trabalho duplicado, triplicado ou até mais...)
> ....
> > No 3), pensamos nos problemas da ação e nas questões legais em se utilizar
> > o código, mesmo que ele esteja disponível. Mesmo assim pareceu-nos *mais
> > decente* do que ficar com os códigos fechados em tantos aplicativos
> > excelentes. Talvez
> > em especial no caso do audiovisual.
>
> > No 4), ficamos cogitando seriamente sobre a validade disso, se alguma
> > corte no mundo acolheria a causa e das possibilidades de embasar a questão
> > na lei vigente.
>
> Aliás, duvido que Windows, Vegas, FInal Cut, para citar somente alguns, não
> tenham código GPL no seu código fonte. É muito improvavel dado que o
> código aberto é o ponto de partida.
>
> Ou seja, com certeza usam código criminalmente.
>
> A única prova de provar o contrário seria abrindo o fonte para especialistas?
> E estes realmente constatariam que o código destes programas é criminalmente
> composto? Portanto???
>
> while True:
>     share()
>
>
>
> > Que acham? Ficamos um tanto quanto curiosos das ideias que podem
> > surgir disso.
>
> > Abraços,
> > $ open -rf
> >http://www.youtube.com/watch?v=cidxNVzQ8Jo
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