Centenas de pessoas se concentraram nos arredores do periódico em
Guayaquil com cartazes que tinham mensagens como "Queremos viver em
liberdade, sem mordaça", "Não nos calarão" e "Livres, não escravos".
Alguns dos manifestantes mostravam a capa desta quinta do periódico,
que estava em branco exceto por uma frase da filósofa russa Ayn Rand
contra as injustiças e cuja tiragem havia se esgotado totalmente em
Quito durante a manhã.
Os manifestantes protestavam contra a sentença divulgada na quarta-
feira na qual o juiz Juan Paredes condenou a três anos de prisão os
diretores do diário "El Universo" e seu ex-editor de opinião Emilio
Palacio, que deverão pagar ainda US$ 40 milhões a Correa.
O diretor do jornal, Carlos Pérez Barriga, declarou nesta quinta em
entrevista coletiva que a equipe do rotativo continuará trabalhando e
afirmou que o julgamento pretendia "assustá-los" e estabelecer um
"marco nefasto na história do Equador".
Correa, por sua vez, também disse que registrou um marco, pois foi
"derrubado o mito da imprensa onipotente, com patente de corso para
fazer o que lhe dá na telha".
Em sua opinião, "terminou" a etapa na qual "o pior que poderia
acontecer com uma pessoa era ser alvo dos sicários de tinta, alvo da
maldade e da má-fé dos chamados meios de comunicação".
O presidente, que viajou para Cuba nesta quinta para visitar seu
colega venezuelano, Hugo Chávez, que está tratando um câncer, apontou
que não está interessado na indenização, mas sim "que a verdade seja
revelada".
Alembert Vera, advogado de Correa, assinalou que a indenização será
destinada ao projeto Yasuní Ishpingo-Tambococha-Tiputini (ITT), que o
Governo arrecada dinheiro para manter em terra o petróleo de uma parte
da Amazônia de alta biodiversidade.
Enquanto isso, a oposição equatoriana apresentou um projeto de lei
para proibir o delito de desacato, que acarreta pena de prisão por
expressar uma opinião que ofenda uma autoridade.
No exterior, a sentença contra o "El Universo" foi rejeitada por
organizações de jornalistas e de direitos humanos.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH, dependente da
OEA) advertiu que o uso de processos pode se transformar em "um meio
de censura indireta" por seu efeito "amedrontador" sobre os
jornalistas.
Na mesma linha, o presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa
(SIP), Gonzalo Marroquín, que esteve esta semana no Equador,
considerou um "duro golpe na liberdade de informação".
De Paris, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) disse que esse
"assédio judicial põe em evidência uma estratégia das autoridades
equatorianas que procura aplacar a mídia no país, atualmente muito
criticada pelo presidente Correa".
Na única audiência no caso, realizada na terça-feira, os diretores do
"El Universo", o jornal tradicional de maior tiragem do Equador,
ofereceram a Correa publicar um texto que ele considerasse pertinente
como retificação.
No entanto, o líder rejeitou a oferta, considerando-a tardia, apesar
de no passado ter dito que retiraria a querela se o rotativo
corrigisse a coluna que motivou a interposição do processo, em março.
Na coluna em questão, Palacio afirmou que durante um levantamento
policial em 30 de setembro de 2010, Correa ordenou "fogo à vontade e
sem aviso prévio contra um hospital cheio de civis e pessoas
inocentes".
O líder ficou preso grande parte desse dia no hospital policial e foi
resgatado após uma operação executada por forças leais em meio a um
intenso tiroteio.
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Essa mensagem foi postada no grupo: http://groups.google.com/group/gtculturadigital?hl=pt?hl=pt-BR
Esse grupo está ligado ao Movimento Cultura Digital:
http://culturadigital.br/movimento






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