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[gtCD] Centenário revigora originalidade de Marshall McLuhan

#OMeioÉaMensagem

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Thiago Skárnio - Twitter/Jabber/Skype/Gtalk: skarnio
Coordenador: http://ganesha.org.br Etc.: http://skarnio.tv

Centenário revigora originalidade de Marshall McLuhan

FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO

A roda é uma extensão do pé, o livro é uma extensão do olho; a roupa, uma extensão da pele, e a internet, uma extensão do cérebro. O canadense Marshall McLuhan, cujo centenário de nascimento se comemora hoje, formulou esses axiomas há mais de 40 anos, quando nem sinal havia da rede mundial de computadores.
Criou-a ligeiramente modificada, é verdade: usando no lugar de internet o conceito "circuitação eletrônica" e, no de cérebro, "sistema nervoso central".
Graças às profecias sobre o que seria a evolução dos meios eletrônicos, a partir dos anos 1990 o teórico da comunicação saiu do limbo a que fora relegado na década anterior (após a euforia de sua descoberta nos 60/70), virou de novo pop e foi chamado de "santo padroeiro da internet" pela "Wired".
Os cem anos anos estão aí para ampliar a onda.
A recém-criada Ímã Editorial relança "O Meio É a Massagem", livro-jogo ilustrado, publicado por McLuhan em 1967 em parceria com o designer Quentin Fiori e à época lançado também em LP.
A obra já apontava para fenômenos atualíssimos, como a rediscussão do direito autoral e revoltas populares tonificadas por redes sociais.
Como observa no posfácio o editor e tradutor Julio Silveira, o livro "é um apelo para que as pessoas (…) compreendam que estamos entrando em um novo ambiente, deixando para trás a tecnologia sequencial, especializada e categorizante da imprensa e do livro, e penetrando em um novo ambiente, o de liberdade criativa e informação plena garantidas pela 'circuitação eletrônica'".

AUTISMO
Na América do Norte, foi lançado no fim do ano passado a biografia "You Know Nothing of My Work!" (você não sabe nada sobre a minha obra), de Douglas Coupland (o mesmo de "Geração X"), que incomodou parte da família de McLuhan por associar idiossincrasias do intelectual a tiques autistas.
A universidade brasileira também trata de revigorá-lo.
"McLuhan ficou muito tempo proscrito na academia. Até quem achava que o conhecia já tinha esquecido dele", diz o filósofo Andre Stangl, do centro Atopos , da ECA/USP, que em maio passado organizou o seminário "O Século McLuhan" (www.atopos.usp.br/mcluhan).
Ele conta que acadêmicos convidados para o evento tiveram de rever a obra de McLuhan e "ficaram impressionados com a atualidade". Em novembro, a PUC-RS organiza um seminário internacional de comunicação que tem o pensador canadense como tema (eusoufame cos.uni5.net/projetos/sic2011) e trará ao Brasil Eric McLuhan, filho tido como seu herdeiro intelectual.
Na internet, é claro, encontra-se material à farta: o documentário "McLuhan's Wake" (com legendas em português em vimeo.com/23890132); leituras musicais de "O Meio É a Massagem" (mcluhan2011.eu/dj-spooky); a página oficial dos herdeiros (marshallmcluhan.com); o perfil no Twitter das atividades brasileiras (@mcluhan100br).
E a cena de "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" em que ele surge para dizer que um personagem não conhece nada do trabalho dele (youtube.com/watch?v=OpIYz8tfGjY, em inglês).
Coincidentemente, acontecem em São Paulo três mostras de arte que, ao expandir os limites da linguagem eletrônica, revelam a abrangência das ideias do canadense.
E como ele estaria nesse ambiente que vaticinou: seria blogueiro, usaria Twitter, estaria no Facebook? "Marshall não tinha paciência para minúcias. Certamente não blogaria nem tuitaria pessoalmente, provavelmente teria alguém para fazer isso por ele. Facebook? Você deve estar brincando", disse àFolha Michael Mc-Luhan, filho do intelectual.

RAIO-X
MARSHALL MCLUHAN 

VIDA
Nasceu em 21 julho de 1911, em Edmonton, Canadá. Fez pós-graduação na universidade de Cambridge (Inglaterra) e lecionou nos EUA e no Canadá. Morreu em 1980, em Toronto.

IDEIAS
Formulou teses sobre a influência dos meios de comunicação na sociedade. Criou conceitos como "aldeia global" e "o meio é a mensagem" e frases como "Se funciona, está obsoleto" e "O futuro do livro é a sinopse".

OBRA
"O Meio É a Massagem", "A Galáxia de Gutenberg" e "Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem", entre outros livros.

TRECHO

"O choque do reconhecimento! Em um ambiente de informação eletrônica, as minorias não podem mais ser contidas -nem ignoradas. Pessoas demais sabem coisas demais umas das outras. Nosso novo ambiente nos compele ao engajamento e à participação. Tornamo-nos inapelavelmente envolvidos, e responsáveis, uns pelos outros."


Extraído de "O Meio É a Massagem"

ERRO OU BLAGUE?
TROCADILHO REALÇA TÍTULO DE OBRA

Para alguns, McLuhan fez de propósito, mas, segundo a família do canadense, o título da obra relançada agora no Brasil deve-se a um erro tipográfico: "The Medium Is The Message" [o meio é a mensagem] saiu da gráfica como "The Medium Is The Massage" [massagem]. McLuhan gostou e deixou como estava.

Artistas tecnológicos evocam McLuhan

Criadores levam às suas obras noções exploradas pelo canadense, como a de máquinas como extensão do corpo

Três exposições em cartaz em São Paulo reúnem trabalhos que se apoiam na convergência de meios 

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Nas mãos de artistas das chamadas novas mídias, em três mostras agora em cartaz, o conceito popular de Marshall McLuhan, de que o meio é a mensagem, ganhou desdobramentos literais. São muitos meios, acionados ao mesmo tempo, para dar cabo de uma realidade híbrida, hiperconectada e ultraveloz.
"Tudo isso estava nas profecias dele", resume Marcos Cuzziol, curador de uma mostra de arte cibernética agora no Itaú Cultural. "As formas são empurradas no limite da velocidade e do seu potencial. A gente vive isso hoje."
Uma das obras de sua exposição, aliás, trabalha com mecanismos de leitura de imagens que codificam sons aleatórios e dependem desses mesmos sons para gerar novas versões de pulsos sonoros, numa cadeia de atos multiplicados, imprevisíveis.
"Seria difícil fazer esse tipo de obra sem antes ter o pensamento de McLuhan", analisa a artista Kátia Maciel. "Quando um trabalho de novas mídias é bom, consegue problematizar o seu meio."
No caso, obras desses artistas materializam conceitos que McLuhan aplicou à dinâmica da comunicação, como as noções de aldeia global, os aparatos tecnológicos como extensão do corpo e a ideia de hibridização dos meios.
Sinal de que estão em todos os lugares ao mesmo tempo, uma obra do americano Matt Roberts usa a vibração de ondas do Atlântico numa bacia d'água que está no File, na avenida Paulista, para criar desenhos com ondas.
"Quando líamos o McLuhan há 20 anos, não sabíamos ainda o que viria a ser a globalização", diz Ricardo Barreto, curador do File. No festival On_Off, que começa amanhã no Itaú Cultural, o coletivo britânico Light Surgeons deixa essa convergência de mídias muito clara, misturando poesia, projeções, música e performance.
"É uma ópera audiovisual", diz Roberto Cruz, curador do festival. "Esse é um trabalho de transmídia, sobreposição de mídias, um outro conceito de McLuhan."

Colaborou GABRIELA LONGMAN, de São Paulo.

RUMOS ARTE CIBERNÉTICA
QUANDO de ter. a sex., 9h às 20h; sáb. e dom., 11h às 20h; até 4/9
ONDE Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 0/xx/11/2168-1776)
QUANTO grátis

ON_OFF
QUANDO de 22/7 a 31/7, às 20h
ONDE Itaú Cultural

FILE
QUANDO seg., das 11h às 20h; de ter. a sáb., das 10h às 20h; dom., 10h às 19h; até 21/8
ONDE Centro Cultural Fiesp (av. Paulista, 1.313, tel. 0/xx/11/3146-7405)
QUANTO grátis

Intelectual faz diagnóstico do embate entre homem e mídia


MCLUHAN PROPÕE COMO ANTÍDOTO O HUMOR. MAL SABIA QUE O HUMOR EMERGIRIA COMO A LINGUAGEM POR EXCELÊNCIA DA INTERNET


RONALDO LEMOS
COLUNISTA DA FOLHA

McLuhan está novamente na moda. Seu "O Meio é a Massagem" pode ser lido hoje como uma profecia realizada. Está ali um diagnóstico persuasivo do que ocorre com nossas vidas na medida em que submergem no vórtice da mídia (internet incluída).
Ainda nos anos 60, olhando para a televisão, conseguiu catalogar questões que estão na ordem do dia.
Previu o fim da privacidade, chamando os meios eletrônicos de "imensa revista de fofoca que nada deixa passar" e onde "não há modo de apagar os erros da juventude". Soa familiar, não?
Previu que a escola e a academia enfrentariam crises crescentes em razão do seu apego ao texto e o preconceito com outras formas de representação e colaboração, consideradas não sérias. McLuhan propõe como antídoto o humor, dizendo que "uma piada pode ter mais significado que as obviedades comprimidas entre duas capas". Mal sabia que o humor emergiria como a linguagem por excelência da internet. E que a crítica feita há mais de 40 anos ainda é válida.
Previu também a crise do direito autoral e a cultura do remix. Dizia que "qualquer um pode hoje tornar-se tanto autor quanto editor". A fórmula seria "copiar um capítulo deste livro, outro daquele, desapropriação instantânea". Elogiava o amador e dizia que "nossa cultura oficial luta para forçar os novos meios a fazer a tarefa dos antigos".
McLuhan era um homem que ouvia o chamado do século 21 enquanto lutava contra a rigidez herdada do 19.

ALDEIA QUEBRADA
Mas, tão importante quanto seus prenúncios, está aquilo que não foi capaz de prever. Sua "aldeia global" desagrega-se hoje em infinitas minialdeias, reunindo pessoas com ideias e gostos similares, sem muito contato umas com as outras.
Citando Poe, confiava na capacidade do homem de "reconhecer padrões". Essa seria nossa tábua de salvação para sobreviver ao redemoinho das mídias.
Não vislumbrou, no entanto, que o processamento de padrões acabaria automatizado e concentrado em algumas empresas, superando de vez qualquer romantismo humanista no embate entre homem e mídia.

MÍDIA TOTAL
Também não previu que empresas como Google, Apple ou Facebook teriam como ambição incorporar todas as mídias e conteúdos (livros, TV, celulares e a própria internet com sua justaposição de meios), o que aponta para o surgimento de uma mídia onisciente de todas as outras.
No centenário de McLuhan, sua obra pode ser lida não apenas como vaticínio bem-sucedido mas também como um conto moral, a nos inspirar cautela.

O MEIO É A MASSAGEM

AUTORES Marshall McLuhan e Quentin Fiori
EDITORA Ímã
TRADUÇÃO Julio Silveira
QUANTO papel: R$ 37 a R$ 44 (brochura ou capa dura, 128 págs.); digital: R$ 19,90, em www.imaeditorial.com
AVALIAÇÃO ótimo

Folha de São Paulo, quinta-feira, 21 de julho de 2011

Fonte: http://cienciadaabelha.wordpress.com/2011/07/21/big-mac/


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Essa mensagem foi postada no grupo: http://groups.google.com/group/gtculturadigital?hl=pt?hl=pt-BR
 
Esse grupo está ligado ao Movimento Cultura Digital:
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