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Re: [gtCD] Impressoes sobre o debate do MinC com a cultura digital

Save Galera da CD, salve Andréa, 


muito bom ler as impressões dos companheiros e ver que as mesmas vão se repetindo para os que têm oportunidade de os ver falar. O discurso não condiz com a prática que estamos percebendo hoje instaurada no MinC.
Eles sabem muito bem o que querem
E nós também

Sigamos juntos e misturados
que o MinC é nosso e nós somos o MinC (adorei Ivana)

 -- 
Patricia Ferraz
skype: patricia.ferraz.da.cruz
email: patriciaferraz007@gmail.com
(62) 9204 8087 / (62) 3331 2430



Em 26 de março de 2011 17:04, Andrea Saraiva <andreasaraiva.cb@gmail.com> escreveu:
Eu assisti. Confesso que merecia um texto mais aprofundado sobre as impressões, mas ando mesmo cansada dessa discussão. Valeria, com certeza, um texto sobre o jogo dos 7 erros do novo velho MinC.

Em suma, as falas dos nossos interlocutores foram muito boas. Acho mesmo que foi uma aula que eles deram para o Vitor Ortiz e essa nova gestão tão afeita a obscurantismo. Foi uma consultoria de graça pro governo tamanha a qualidade das falas.

No entanto, o secretário executivo se abriu somente nos minutos finais do debate. E nesse momento é que mostrou o grande equivoco conceitual do MinC com relação ao Ecad e direitos autorais. Para ele a questão central é o papel do estado e que existem tres modelos ou vias:

1. Modelo privado (o mercado se encarrega disso. Manutenção do Ecad)
2. Modelo estatizante (o estado gerenciando os direitos autorais)
3. Modelo Híbrido que junta os dois acima. (que é o que ele defende)

O Sergio Mamberti da SPC me pareceu mais direto quando falou que era favorável a mecanismos de transparência e controle ao Ecad. O discurso do Vitor foi vacilante, escorregadio. Por várias vezes esteve na defensiva e comentou sobre a suposta "demonização" que os movimentos tem feito com relação à ministra.
 
A esse respeito, acho que eles não entenderam que a briga não é do Ecad e CC. Tampouco a briga é só do cultura digital. Eles estão menosprezando que o debate já chegou a pessoas que não sabem nem que troço é cultura digital mas já entendeu o jogo e tem apoiado em peso. Precisamos mais disso, ganhar corações e mentes para essa causa.

Uma coisa que me incomoda também é que eles tentam desqualificar nossa fala dizendo que estamos defendendo interesses particulares. Pode até ter gente que perdeu suposto "prestigio" no novo MinC mas estes são minoria e acho bom que esse tipo de política seja passado. Tinha que mudar mesmo. Mas dai a jogar tudo na mesma panela nos acusando de reclamar pq o Juca não continuou, é uma tremenda sacanagem. Temos que dizer que a população está reclamando, não só quem entrou na história do #ficajuca.

Outro ponto que considerei bastante polêmico no debate foi a defesa que ele (Vitor Ortiz) fez das praças do PAC. Falou que foi a idéia da Dilma e pouco há pra fazer já que a determinação veio de cima pra baixo e o processo tá em curso.

O ideal era que fosse cancelado esse projeto por seus inúmeros equivocos. No entanto, se o processo for inexorável, que participemos dele.
 
Ninguém discutiu a gestão, nem mesmo a edificação dessas praças. Seria uma boa hackear esse projeto. Propor, por exemplo, que seja utilizada a permacultura na edificação da tais praças. E que se obrigue as prefeituras a destinar uma verba X para manutenção. Se deixar frouxo, virarão elefantes brancos, já que a experiência que temos é que as prefeituras não cumprem com o prometido. Teria que dizer pras prefeituras: ou vocês cumprem ou não mandaremos verba pra vocês. Cortaremos o repasse. 

E que a gestão seja da comunidade, que haja mecanismos de participação e controle dessa mesma comunidade no gerenciamento do equipamento. Que seja criado conselhos gestores. Que se envolva os fazedores de cultura, os Pontos, tuxauas etc. Acho que bola pode voltar pra nossas mãos. Dispensa comentar que as praças precisam ser urgentemente ser repensadas.

Do debate como um todo senti que o que está por tras disso são modelos de negócios camuflados em pequenas ações. Estamos disputando paradigmas. Concepção de economia da cultura que será pelo vies empresarias/industrial ou colaborativo como defendemos. É cultura livre ou cultura de mercado.

Há muitos equivocos, contradições na fala do novo MinC mas eles sabem muito bem o que estão defendendo. A ideia deles é focar na economia criativa pra impactar o PIB, para exportar.

O Minc mais está parecendo uma empresa ainda na fase pre-capitalista. Um empresariado baseado em modelos conservadores. Eles nem pra perceber que o novo capitalismo tem usado de licenças fexiveis como estrategia de aumentar seus lucros. Em outras palavras, eles estao adotando modelos capitalistas atrasados. Nem pra ser um capitalismo mais moderninho...

Creio, portanto, que a discussão que devemos encampar é a defesa do paradigma da colaboração, da economia justa, da cultura livre em contraposição a economia privatista que o novo velho minc defende.

Da discussão ficou uma frase que Ivana Bentes colocou: Nós somos MinC, O MinC é nosso.

Penso isso também. Não venham eles querer passar feito um trator em cima do que construimos nesses anos todos. Nós vamos espernear, sim. Achei linda a sintonia de nossos interlocutores. Teve momento de arrepiar. O que indica que estamos no caminho certo pq nossa luta é justa, é fundamentada. É legitima.

Resta translúcido - e creio que o secretário executivo levou esse recado - é que não vamos nos contentar como expectadores. Nós somos protagonista e queremos autonomia e definir os rumos da política pública de cultura no nosso país.

Um abraço,
Andréa

@andreasaraiva

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Andréa Saraiva
+ 55 - 85 8163 5600
Skype: andreasmartins


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