Geofilho Ferreira Moraes <
Resultado da Quarta Pesquisa Sobre a Utilização de Leitores de Telas e
Algumas Considerações Particulares
Olá a todos
Foi divulgado ontem o resultado da quarta pesquisa sobre a
utilização de leitores de telas, acessibilidade na internet e outros
temas associados.
Dada a amplitude do tema, deter-me-ei apenas ao que considero o
principal assunto e certamente o principal foco da pesquisa,
qual seja o uso dos leitores e suas razões de escolha nos vários
sistemas operacionais por parte dos usuários.
O primeiro ponto a salientar aqui, visto ser de grande importância
por motivos que mais adiante serão explicados, trata-se da distribuição
demográfica da pesquisa, que apontou entre os 1782 participantes o total
de 73.1% de Norte-Americanos, 15.4% de Europeus, 4.8% de asiáticos, 3.4%
de participantes oriúndos da Austrália /Oceania, 1.7% da África/Oriente
Médio, apenas 0.9% da América do Sul e 0.7% da América Central/Caribe.
Quanto ao uso de leitores de telas em computadores, podemos
destacar o uso como leitor primário, isto é, aquele que é usado por mais
tempo, e o uso em geral. A pesquisa trouxe os seguintes percentuais no
que tange ao leitor primário dos participantes:
Jaws: 49.1%
NVDA: 13.7%
Window-Eyes: 12.3%
System Access or System Access To Go: 10.4%
VoiceOver: 9.2%
ZoomText: 2.8%
ChromeVox: 0.2%
Outros: 2.2%
Como se pode notar, o jaws ainda é o leitor mais utilizado do
momento, porém está em queda livre, caindo de 66.4% em 2009 para 49.1%
nesta última pesquisa.
O NVDA, por outro lado, saltou de 2.9% em 2009 para 13.7% na última
pesquisa, o que caracteriza um aumento de cerca de 500% em seu uso como
leitor principal.
Deve-se fazer aqui uma ressalva:
Embora se admita que o jaws ainda seja o leitor mais usado no mundo,
notem que o resultado reflete bem mais a realidade Norte-americana, onde
leitores como o jaws e o Window-eyes são oferecidos aos usuários como
ajuda técnica.
Essa afirmação ganha mais peso, se considerarmos o número de
participantes dessa região, 73.1% dos participantes.
Outro detalhe interessante está em que enquanto o jaws chega a 68% de
preferência na Ásia e 50% no Norte da América, na Europa esse número cai
para apenas 37%, enquanto que o NVDA é cerca de 4 vezes mais preferido
na Europa que na região Norte-Americana.
De acordo com o que observo em minha cidade e com o que leio e converso
com usuários de outros estados brasileiros, o uso do NVDA como leitor
principal é bem maior que os 13.7% da pesquisa. Isso indica que caso
houvesse mais participantes do Brasil e adjacências, não teríamos esse
resultado.
Outra grande surpreza foi o crescimento do System Access/System Access
To Go, que saltou de 4.7% em 2010 para 10.4% da preferência dos usuários
nesta pesquisa.
O System access é um leitor pago, porém não possui um preço exorbitante
como o jaws e o Window-eyes, além de sua licença, depois de comprada,
ser vitalícia.
O System Access To Go é um System Access que pode ser utilizado via
web de forma gratuita, bastando para isso criar uma conta no cite.
Dos resultados obtidos pelo NVDA e System Access/System Access to Go, é
fácil concluir que os leitores gratuitos ou de baixo custo estão
ganhando cada vez mais a preferência dos usuários, por tratarem-se
também de alternativas de qualidade.
Leitores de telas comumente usados, não importando se como leitor padrão:
JAWS: 63.7%
NVDA: 43.0%
VoiceOver: 30.7%
System Access or System Access To Go: 22.1%
Window-Eyes: 20.7%
ZoomText: 6.8%
ChromeVox: 2.8%
Outros: 5.9%
Note que se como leitor primário o NVDA obteve 13.7% de uso, como
leitor usado em geral, esse número dispara para 43%.
Considerando-se mais uma vez as questões regionais dos participantes,
pode-se observar que ainda que não como primeiro leitor, o NVDA já é
amplamente usado, por quase metade dos usuários que responderam à
pesquisa, e mais uma vez não podemos esquecer que 73.1% são da América
do Norte.
Diante desta grande diferença entre seu uso como primeiro leitor e como
leitor secundário, eu me pergunto se ela existiria caso não houvesse
ajudas técnicas, e estou certo de que a resposta é não.
Outro fato inegável, que percebo ao longo de minha experiência como
colaborador, tradutor e divulgador do NVDA, é que muitos são os usuários
que ainda não o adotaram como leitor principal, por simples
desconhecimento do mesmo, e consequentemente, de suas potencialidades.
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