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[gtCD] Jonathan Franzen fala sobre a admiração por Obama e sua preocupação com as novas tecnologias

Autor de "Liberdade", saga familiar lançada no Brasil, Jonathan
Franzen confirma presença na Flip em 2012


O autor norte-americano Jonathan Franzen em sessão de fotos no Gore
Hotel, em Londres
ÁLVARO FAGUNDES
DE NOVA YORK

Jonathan Franzen, 51, tem quatro livros de ficção, o suficiente para
ganhar a capa da revista "Time" em 2010 e ser chamado de o grande
romancista americano.
O mais recente, o premiado "Liberdade", que chega agora ao Brasil, é
um épico sobre uma família do Meio-Oeste dos anos 80 até a era George
W. Bush (2001-2009).
Na entrevista, Franzen fala de suas inspirações e do convívio com
novas tecnologias.


Folha - Antes de falar sobre o livro, o sr. vai à Flip de 2012?
Jonathan Franzen - Sim, eu já me comprometi. O Luiz Schwarcz [dono da
Companhia das Letras] é muito persuasivo. Também sou ornitófilo e o
Brasil é um ótimo lugar para ver pássaros.

O sr. já criticou a TV e outras mídias, mas elas foram incorporadas à
sua narrativa. Como elas afetam seu trabalho?
Eu me isolo delas. Quando estou trabalhando, não tem música, internet.
Gosto delas, mas distraem facilmente.
Porém não vejo a razão do Twitter e o Facebook me irrita. Já o e-mail
é uma invenção maravilhosa, e abrandei minha posição sobre a TV.
Algumas séries se desenvolvem como os grandes folhetins do século 19.

Em "Liberdade", o sr. menciona mais de uma vez "Guerra e Paz". Tem
outros livros que o inspiraram?
Quando estava travado, um livro que me faz andar foi "O Teatro de
Sabbath", de Philip Roth. Pensei muito em Stendhal, Tolstói e em Alice
Munro, gênia canadense.

Em época de Twitter e SMS, tudo parece estar mais curto. O seu livro é
o oposto, tem mais de 500 páginas e foi um sucesso. Como se explica?
Não acredito que as pessoas que gostam de ler livro queiram um romance
curto.
Exatamente porque estamos numa era com tantas distrações, a exigência
sobre os romances é maior. Não dá para deixar passar partes que não
funcionam. Caso contrário, o livro nunca será lido.

Na continuação, Jonathan Franzen fala sobre a admiração por Obama e
sua preocupação com as novas tecnologias.
(ÁLVARO FAGUNDES)

Folha - Uma boa parte do livro se passa durante os anos George W.
Bush. Se a história continuasse, como o sr. imagina que escreveria
sobre o governo Obama?
Jonathan Franzen - É uma questão que não posso responder até que
escreva meu próximo livro. É a primeira vez que ele é alguém que
admiro e apoio. Ainda é meu chapa.
Eu sou um desses escritores que se sentem mais confortáveis quando
estão reagindo contra algo. Pela primeira vez, não estou furioso com o
presidente.

Talvez então ele não sirva para um bom livro.

Em que áreas o sr. não está satisfeito?
Estou incomodado com a situação ambiental, com a falta de uma
alternativa plausível para o crescimento insustentável.
Além disso, me incomoda essa tendência narcisística na mídia
eletrônica. A internet supostamente ia nos levar a entender melhor as
pessoas. Neste país, estamos indo para o lado oposto.
Estou preocupado com a perda do espaço público. Comunidades on-line
não são o mesmo que comunidades.
Isso incomoda, mas também significa que tenho assunto para escrever.

LIVRO

ROMANCE
Liberdade
Jonathan Franzen
EDITORA Companhia das Letras
TRADUÇÃO Sergio Flaksman
QUANTO R$ 46,50 (608 págs.)

O casal Walter e Patty Berglund e o roqueiro Richard Katz tornam-se
amigos nos anos 1970. Nas duas décadas seguintes, vivem uma trama
entre lealdade e traição.

--
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Esse grupo está ligado ao Movimento Cultura Digital:
http://culturadigital.br/movimento

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