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Re: [gtCD] Juremir Machado

Total apoio ao que você menciona nesta mensagem abaixo, Fabs.


Queria compartilhar impressões e informações. Estive anteontem na assembléia legislativa de São Paulo para ouvir a exposição oficial do Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloisio Mercadante, sobre os planos e metas da para o MCT dessa gestão. 

Skarnio também esteve presente e pode contribuir com o relato. 

O Ministro fez um densa exposição sobre o quadro que temos hoje e quais seriam as perspectivas para o futuro. Essa foi a apresentação usada:


Iniciou apresentando estes dados. 

Captura_de_tela.png 


Ou seja, ainda somos cadeia primária em termos de produção tecnológica e estamos muito longe de superarmos isso. 

1 tonelada de circuito integrado é igual a 21445 toneladas de minério de ferro ou 1742 toneladas de soja. O tempo passou e muito pouca coisa mudou porque o quadro não era muito diferente há 15 anos. 

E isso acontece porque investimos muito pouco em educação e pesquisa. O país que mais investe em pesquisa acadêmica é os Estados Unidos, onde são investidos quase 400 bilhões de dólares. No Brasil o montante não chega a 25 bilhões e isso não corresponde nem a 1,2 % do PIB.
Captura_de_tela-1.png

O que ocasiona, evidentemente, um número muito irrisório de patentes registradas por brasileiros e/ou instituições brasileiras. O último dado de 2007 aponta o Brasil numa posição baixíssima do ranking. 


Captura_de_tela-2.png


Ocorre, entretanto, que o Brasil não é um país que aposta sua captação de recurso e a evolução de seu pib na exploração de patentes. (ou pelo menos não tem sido, mas pela exposição do ministro isso pode mudar) Questão de modelo. A China também não aposta na captação de recurso via patentes e royalts, ela está apenas uma posição a frente do Brasil e mesmo assim não tem tido problemas econômicos, pelo contrário. 

Esses e outros dados apresentados não são novidade. Para quem acompanha as notícias e os dados sobre políticas públicas no campo das Ciências e Tecnologias no Brasil sabe isso de cor e salteado. Daí a preocupação e a pergunta: existe um horizonte para além disso? 

Os desafios que o Brasil tem a enfrentar nessas áreas nos já sabemos quais são, mas o que será feito para mexer de fato com esses dados, na busca da nivelação das discrepâncias? É atrás dessas respostas que acredito, assim como eu, muitos daqui estão. 

O Ministro apresentou um quadro de parcerias empresariais que estão em curso e que, segundo sua visão, pode impactar positivamente na economia e no avanço tecnológico do Brasil. Vejamos as 3 principais mega empresas dessa parceria:

Captura_de_tela-3.png


Reparem que todas as empresas são chinesas, produzem equipamentos de tecnologia computacional, celulares, palms, tablets e afins. 

Todas são empresas do "boom chines", são empresas que tem compromissos de fachada e não estão nem aí para desenvolvimento sustentável. Se baseia no capitalismo selvagem do qual o modelo economico chines é grande fã e que tem causado grandes problemas para o país deles e para o mundo:

Reparem também que a ZTE é famosa por denuncias de corrupção e tentativa de formação de carteis em vários países do mundo! Até na wikipedia há informação sobre isso:


"ZTE has experienced several legal controversies, most involving attempts to bribe officials in the hope of winning national contracts."

"A ZTE tem experimentado diversas controvérsias jurídicas, a maioria envolvendo tentativas de suborno a funcionários de governo na esperança de conseguir contratos junto ao Estado"

Essa empresa tem sido canalha na condução de seus negócios. É a maior produtora de celulares do mundo, mas esse posto foi conquistado com negócios sujos e degradação ambiental. Há processos graves contra ela na Noruega, Filipinas e Etiópia! 

A Huawei é até pior, tem denuncias mais graves, mais comprovadas e até condenações. Extorsões, máfia e cartel estão na lista dos crimes. Ela é a empresa com maior número de patentes registradas do ramo de tecnologia de celulares. Até Wikileaks já denunciou as práticas criminosas dessas duas empresas: http://www.lightreading.com/document.asp?doc_id=205161


A Foxconn é conhecida, por sua vez, por trabalho escravo, maus tratos a empregados,  indução a loucura de seus executivos e funcionários pela pressão que os acionistas majoritários exercem sobre eles e por construir suas indústrias de produção braçal em países subdesenvolvidos.


E agora estão de olho no Brasil:

Querem explorar o máximo do mercado e da mão de obra brasileira. 


Em sua fala, apesar de enfatizar muito as duplicações que serão feitas nos investimentos relativos a bolsas de estudo para graduação, pós, mestrado e doutorado, no intento de fomentar maiores e melhores produções científicas no Brasil, o ministro não citou uma só vez os programas de Inclusão Digital que o MCT é parceiro e co-patrocinador. O foco maior e a exaltação foi na apresentação desses "captais estrangeiros" que estão chegando.

De mesma forma, o ministro também não apresentou nenhum plano estratégico prevendo ou direcionando ações de fomento a iniciativa tecnologicas independentes. Hackerismo, robótica, produção tecnologica livre, hardware aberto, nada disso foi sequer citado. Projetos de formação ampliada, fora de meios acadêmicos, também não foram cogitados. 

No momento em que o plenário foi aberto para perguntas, me inscrevi, mas como havia mais de 10 deputados e 10 entidades civis que queriam falar e o ministro só tinha 30 minutos, não houve tempo de fazer uma intervenção para questionar os planos estratégicos apresentados. 

Esse desenho me preocupa muito. Para além da visão desenvolvimentista do MCT, o que nos sobra? 

Creio que essa discussão toda sobre o atual MinC ser mal "acessorado"* e adepto de um modelo político no mínimo questionável não está restrito só ao MinC. 

Não estou dizendo que o Ministro Mercadante está mal preparado, ao contrário de Ana de Hollanda no MinC, mas talvez ele possa ser melhor assessorado, mais bem pautado, e inclusive melhor direcionado. 

Quero aqui lançar essas reflexões: a Cultura Digital e seus desdobramentos em política pública extrapolam e muito a esfera do MinC. E nessa extrapolação, quais são os caminhos possíveis para este grupo no intento de demonstrar toda experiência positiva, ao poder público, vivida e narrada aqui e em muitas outras infovias? 

Existem outros setores do governo, como MCT, MiniCom, MiniPlan e MEC, que precisam, como tenho dito, ser melhor geridos no sentido de criar uma sociedade melhor, mais justa, de código aberto aos seus cidadãos e cidadãs. 

Temas como Propriedade Intelectual, Reforma da LDA (principalmente focando as questões do Uso Justo), fomento a pesquisa tecnológica por universidades E POR ENTIDADES E GRUPOS INDEPENDENTES (como movimentos de Cultura Digital, Hacker Spaces, MetaLabs), formação e disseminação de tecnologias livres, bem como outras bandeiras deste e de outros grupos, tem de estar na agenda desses ministérios! 

E isso não é papo de digitaloide, nem esquerdismo adolescente, é política pública responsável, com olhar para escala e para responsabilidade socio-ambiental. 

Abraço,

Felipe Cabral

*To adotando o termo acessor pra falar de todas as assessorias furadas que existem por aí. 

Em 17 de maio de 2011 18:24, Fabianne Balvedi <fabs@estudiolivre.org> escreveu:
2011/5/17 Jimmy Avila Avila <jimmybra@gmail.com>
  Mais uma vez a opiniao publica da um tapa na cara dos " radicais chiques" digitaloide.
 
 Ate quando essa turma vai ignorar a esfera publica tao ampla !
 
A muito mais entre o ceu e a terra do que imagina a va filosofia  geek!
 
 O mundo nao é feitos de pixels, apesar de cada vez mais virtual.



jimmy, particularmente, eu não senti nenhum tapa na cara.
olho para estas palavras, inclusive para as tuas, e sinto é
um aperto no coração por perceber o quanto as visões ainda
estão extremamente limitadas, como é complicada a mudança
e como a inércia atua não somente no corpo físico, mas também
no mental, etérico e espiritual.

o novaes esteve dia desses aqui em casa e comentávamos sobre
aconcecimentos emblemáticos que ocorreram na gestão passada
e que caracterizam aquele minc mais humano e próximo que alçou
vôo para além do que se pensava possível em termos de políticas
públicas: o Juba, alguém que você estereotipa como "digitaloide",
chegando numa comunidade no interior da amazonia para dar
oficina de rádio livre...

a passagem de pessoas conectadas ao governo por lá é quase nula,
tanto que ele é recebido com honras de estado pelo povoado, com
prefeito e demais "autoridades" presentes em sua chegada.
E ele chega de bermuda e chinelo de dedo, totalmente à vontade,
sem necessidade de afetações, para cumprir sua tarefa.

o minC digitalóide é o MinC que chegou onde nunca antes alguma
política pública decente tinha chegado.

o minC digitalóide também é aquele que te alerta que você
pode chamar o encanador que quiser pra trocar os canos da tua casa,
o eletricista que quiser pra mexer na tua fiação elétrica, mas
não pode chamar quem quiser pra mexer nos códigos que
são colocados dentro do *teu* computador, porque tem empresas
que fecham o acesso como uma caixa preta e deixam dentro da
*tua própria máquina* códigos que são só dela, fazendo coisas
que só ela sabe com teus dados pessoais. Mas ele não só alerta,
como também mostra os caminhos alternativos para a
liberdade e para autonomia. O minC digitalóide mostra como
trabalhar em rede, buscando em um movimento digitalóide,
o movimento do software livre, seu exemplo de como
trabalhar colaborativamente, pois é um movimento que deu
e está dando certo. Um movimento onde os donos dos códigos
são todas as pessoas, mas especializa-se neles quem quer,
e colabora emodifica quem pode.

O minC digitalóide é um minC incomoda porque tira as pessoas
de seus quadrados, de suas zonas de conforto, e questiona inclusive
o fato de que os autores só pensam em seus direitos, nunca
em seus deveres. Quantas trilhas sonoras de minha adolescência
foram completamente arruinadas por comerciais estúpidos de carros
e companhias telefônicas querendo me empurrar seus produtos
apelando para minha memória afetiva em torno daquela melodia.
Eu sinceramente considero isso um crime, uma barbárie mercantilista,
mas os donos do direito autoral estão pouco se lixando para isso.
Querem apenas saber de seus lucros, os quais muitas vezes sequer
vão para o autor, e sim para quem comprou os direitos do autor.

lamento sincera e profundamente pela sua cegueira jimmy.

mas ainda acredito que ela tenha cura, e por isso coloco minha energia
nestas palavras pra ti e para outras pessoas que eventualmente
ainda tenham dúvida sobre o real comprometimento deste movimento
para com uma mudança cultural de POSTURAS, algo que não se resume
a um movimento geek, mas que tem sua penetração facilitada por ele.

saludos,


.f4bs


.


--
fabianne balvedi
GNU/Linux User #286985
http://about.me/f4bs | http://fabs.tk
.
| estudiolivre.org | metareciclagem.org | interfaceg2g.org |
| contestado.org | bicicletadacuritiba.org | artebicimob.org |
.
"Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso
prazer para mim dividir um planeta e uma época com você." -- Carl Sagan

--
Essa mensagem foi postada no grupo: http://groups.google.com/group/gtculturadigital?hl=pt?hl=pt-BR
 
Esse grupo está ligado ao Movimento Cultura Digital:
http://culturadigital.br/movimento

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